sexta-feira, 25 de junho de 2010

Estaremos crescendo, afinal???

Será impressão minha ou os brasileiros estamos menos empolgados com esse negócio de copa do mundo??? Aquela folia infantil que acometia o povaréu nessas ocasiões parece ser somente mais um pretexto para bebedeiras e barbaridades no trânsito, como o carnaval, natal e outras festividades que alegra povos infantilizados pela cultura de massas e baixo nivel educacional, e não provoca mais a emoção genuina que fazia com que amigos e parentes se matassem alegremente com tiros e facadas em tempos de outrora, por suas loucas paixões esportivas. Bons tempos aqueles...

sábado, 29 de maio de 2010

No coletivo...

Entreouvido no busão

-Motorista, pode me avisar quando chegar ao final da Avenida do Contorno?
Outra senhora para a trocadora:
-esse ônibus passa na Rua Leopoldina, (e ante a resposta positiva) pode me avisar quando chegar?
A trocadora, meio distraída:
- posso sim mas vc tem de me lembrar quando chegar lá, ando com a cabeça muito ruim esses dias.
Outra passageira para a amiga;
-Deus me perdoe, mas não acredito nesse negócio de disco voador...

sábado, 22 de maio de 2010

No Brasil os séculos não passam, eles se superpõem..

Nos jornais, espantados: os concursos de miss, miss Brasil, miss mundo e coisas assim
bombando novamente; jovens jornalistas tentando entender o ressurgimento de algo que parecia morto e enterrado sob toneladas de cafonice e mau gosto. Como em outras coisas que pareciam extintas e ressurgem, não vejo a razão do espanto: imagina, tuberculose, febre amarela, dengue, ABBA, Creedence Clearwater Revival – mas isso acho que não conta pq sempre que os sobreviventes de alguma banda caquética no hemisfério norte precisam de uns caraminguás pra pagar o asilo e as drogas dos dinossauros do pop pré-histórico, aportam por aqui, por que sabem que sempre serão bem recebidos. Mas e um tal de sertanejo universitário??? Dois conceitos altamente carregados de suspeitas e mal entendidos culturais... Juntos??? Sei não... A barra ta pesando demais.
Depois; novelas e programa de televisão em geral sendo levado a sério nos cadernos B dos grandes jornais; evangélicos de classe média, meninos urbanos fumando cigarros de palha como se fosse o must..
É como um pesadelo em que os anos sessenta voltassem com força, mas somente com o seu lado pavorosamente kitsch, de um mau gosto perverso e cafonice além de qualquer delírio...
Dá a sensação que a qualquer momento vamos ver as matronas com cabelos espetados de laquê, saltos e vestidões –a burguesia marchadeira da ditadura militar – desfilando nas principais avenidas das capitais por Deus, Pátria e Família contra o comunismo ateu. Por favor, me acordem antes que eu morra no sonho como as vitimas de Fredy Krugger...

sábado, 15 de maio de 2010

Só dói quando eu rio

Os jornais de BH dizem que há uma onda de crimes denominados “saidinha bancaria”, na capital, no curioso jargão midiático que reduz toda tragédia a pilhérias idiotas; tal delito consiste, aparentemente, em bandidos que seguem pessoas que acabaram de sacar quantias significativas nos terminais dos bancos, assaltam e freqüentemente matam o incauto. A mesma reportagem informa que as autoridades (mais ou menos) competentes já acharam a solução para o problema; à moda das provas de múltipla escolha convido meus três leitores a adivinhar a solução encontrada:
a- Prender, julgar e condenar os facínoras.
b- Forçar os bancos a oferecer mais segurança para os clientes que lhes proporcionam os maiores lucros do mundo no setor.
c- Proibir as pessoas de usar celular no interior das agencias
d- Dar coletes a prova de balas para todos que precisarem sacar umas merrecas.
e- Recomendar as pessoas que tenham juízo e parem de ficar sacando dinheiro a torto e direito.
Tenho certeza que, conhecendo bem a clarividência, senso de realidade, empenho e discernimento de nossas já referidas “autoridade (quase) competentes” ninguém teve a menor dificuldade de acertar a pegadinha. Pegadinha???? Opssss..melhor não dar idéia...

sábado, 8 de maio de 2010

The Sarah Silvermam Program

Devo dizer logo de cara para não deixar duvidas de qualquer espécie: essa é a melhor série de TV em tempos recentes (tempos que tem se destacado por excelentes séries televisivas – o capital financeiro e criativo tradicionalmente investido nos filmes parece estar se deslocando para esse ramo do entretenimento áudio visual) para o meu gosto particular. Uma jovem senhorita de trinta e poucos, desempregada, completamente amalucada, com um senso de humor ultrajante, desbocada e sem limites, que enfatiza – para debochar – seu judaísmo e do vitimismo spilberguiano que normalmente acompanha o tema. Sem nenhuma preocupação com a moral e os bons costumes. E melhor ainda, sem nenhum compromisso com o “bom gosto” ou o politicamente correto, ou correção de qualquer tipo;
Tipo um Woody Allen sem a pretensão intelectual e infinitamente mais radical em sua visão ácida e corrosiva, sem a “crítica construtiva” (como os Simpsons) e sem boas intenções de qualquer tipo.. Mais para os Marx Brothers só para ficar na riquíssima tradição de comediantes judeu-americanos... E muito, muito engraçada.
A série só durou 3 temporadas, ao menos no que passou na TV ou encontro na Net pra ver, e acho que foi muito, pelo radicalismo surrealista, quase dadaísta com que é escrita e interpretada pela protagonista homônima e sua irmã Laura. Longa vida pras duas.
Impossivel não ligar o que fazem ao ambiente dos cabarés na Alemanha dos anos 20/30 do século passado, onde a inventividade, ousadia existencial e experimentalismo em musica (Brecht e Kurt Weill) e teatro deu pretexto – como se precisassem disso – aos nazistas para reclamar de uma “decadência e corrupção” com que os judeus contaminavam a juventude ariana do país. Não deixa de ser curioso que hoje em dia, os tempos cínicos e desprovidos de parâmetro moralizante, onde, por exemplo, o crime organizado se entranhou de vez na vida cotidiana que é impossível distinguir a ação corporativa “legitima” do gangsterismo mafioso de outros tempos, tudo passe despercebido e se confunda na paisagem geral da diversão descomprometida. Nada ofende aos conservadores que aceitam tudo pq sabem que nada vai perturbar seus ganhos e status. Como costumo dizer: tempos estranhos esses.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Adultos e Crianças

Acabo de ler que pessoas adultas – quer dizer, gente cuja idade em tempos antigos seria considerada adulta – estão brigando por figurinhas, dessas que se cola em um álbum e somente as crianças menores colecionavam antigamente.
Porque não fico espantado? Porque em tempos em que música sertaneja, programas de televisão, novelas incluído, e seitas pentecostais são levados a sério e as pessoas aderem sem constrangimentos, não existe mais nada que se possa considerar próprio de crianças ou adultos. Aliás, os filmes do cinema americano já indicam isso há 20 ou 30 anos: todos os filmes, ou quase todos, são feitos para pessoas com idade mental no grupo etário que eles chamam de teen... Tempos estranhos.

terça-feira, 6 de abril de 2010

O cemiterio dos deuses

Onde fica o cemitério dos deuses mortos? Algum enlutado ainda regará as flores de seus túmulos? Houve uma época em que Júpiter era o rei dos deuses, e qualquer homem que duvidasse de seu poder era ipso facto um bárbaro ou um quadrúpede. Haverá hoje um único homem no mundo que adore Júpiter? E que fim levo Huitzilopochtli? Em um só ano – e isto foi há apenas cerca de quinhentos anos – 50 mil rapazes e moças foram mortos em sacrifício a ele. Hoje, se alguém se lembra dele, só pode ser um selvagem errante perdido nos cafundós da floresta mexicana. Falando em Huitzilopochtli, logo vem à memória seu irmão Tezcatilpoca. Tezcatilpoca era quase tão poderoso: devorava 25mil virgens por ano. Levem-me a seu túmulo: prometo chorar e depositar uma couronne des perles. Mas quem sabe onde fica? (...) Arianrod, Nuada, Argetlam, Morrigu, Tagd, Govannon, Goibniu, Gunfled, Odim, Dagda, Ogma, Ogurvan, Marzin, Dea Dia, Marte, Iuno Lucina, Diana de Éfeso, Saturno, Robigus, Furrina, Plutão, Cronos, Vesta, Engurra, Zer-panitu, Belus, Merodach, Ubililu, Elum, U-dimmer-an-kia, Marduk, U-sab-sib, Nin, U-Mersi, Perséfone, Tammuz, Istar, Vênus, Lagas , Belis, Nirig, Nusku, Nebo, Aa, En-Mersi, Sin, Assur, Apsu, Beltu, Elali, Kusky-banda, Mami, Nin-azu, Zaraqu, Qarradu, Zagaga, Ueras. Peça ao seu vigário que lhe empreste um bom livro sobre religião comparada: você encontrará todos eles devidamente listados. Todos foram deuses da mais alta dignidade – deuses de povos civilizados –, adorados e venerados por milhões. Todos eram onipotentes, oniscientes e imortais. E todos estão mortos.” H. L. Mencken

quarta-feira, 31 de março de 2010

Filme Noir

Não sou um saudosista. O tal de “no meu tempo tal coisa (tudo) era melhor” quase sempre denuncia um velho tolo. Mas depois de se viver alguma décadas – jamais confessarei quantas – algumas coisas saltam aos olhos, em perspectiva histórica, e podem ser comparadas por pessoas de qualquer idade. Falemos de filmes: ninguém que se lembre dos tempos áureos do cinema americano pode deixar de pensar em certas trocas que tivemos de fazer; quem imaginou ter de aceitar o Brad Pitt no lugar do, digamos, Paul Newman? E o Bruce Willis no lugar do Charlton Heston? Ou Leo Di Caprio no lugar do Marlon Brando? Acho que no capitulo das atrizes até que não perdemos muito não..tempos ótimas em ação na atualidade. Ninguém pode se queixar da Nicole Kidman ou da Angelina Jolie; de discordar quem há de???
Mas pense bem nos atores ingleses que sempre bateram ponto nos filmes americanos; em que mundo de absurdos pode-se pensar no Jude Law ou Hugh Grant no pódio que foi de Richard Burton ou Lawrence Olivier? Mas por pior que sejam os tempos os ingleses nunca nos decepcionam (no quesito de fingir) completamente - alguma língua bífida sempre pode invocar a inata perfídia e dissimulação dos nativos da pérfida Albion, como se dizia antigamente, mas isso já entraria no capítulo da pura maledicência nacionalista- ainda temos um Sir Ian McKellen ou Sean Connery, embora não sejam propriamente da novíssima geração.
Mas os exemplos seriam infinitos e cada um pode fazer o paralelo a seu gosto: Steve McQueen no lugar de quem mesmo? Se for com base na refilmagem de The Thomas Crown Affair teríamos de nos contentar com um Pierce Brosnan. Aí fica difícil mesmo né não? Tempos estranhos.

domingo, 21 de março de 2010

Vivendo na Matrix

O cinema é a maior diversão, dizem os publicitários...
E talvez seja mesmo..mas pode ser também uma forma de reflexão muito interessante e eficaz, de mais de um século de existência, que atraiu o interesse de muita gente boa nesse tempo, mas que nunca entrou no cânone das artes sérias, por carregar o estigma de sua origem e vocação popular. Mas por não ser levado a sério ele pode tratar de coisas sérias e ainda assim gerar muito dinheiro, de modo inconsequente e doidivanas.
As vezes denuncia seus próprios mecanismos de manipulação, na forma de uma grande espetáculo do gênero, como O Show de Truman, onde diz com todas as letras que não passamos de patetas integrantes de um reality show e que nunca tivemos vidas autônomas ou ideias próprias, “vivendo” em um realidade cenográfica fajutérrima. Mas o filme que melhor tratou do tema no registro grande-espetaculo-de-correria-e-ação foi Matrix, o primeiro (os outros não tem nada a ver) onde somos informados de modo ainda mais contundente e isento de sutilezas que somos apenas fontes de energia barata (trabalho mal remunerado) parasitados por aliens cruéis, gananciosos e invisíveis (capitalistas globalizados pós muro de Berlim) manipulados por um programa global de realidade virtual que nos faz pensar que levamos uma vida deslumbrante, livre e excitante (televisão). E tudo isso pode ser exibidos nos mesmos veículos que produzem a falsa consciência (cinema, televisão, dvd) porque, simplesmente, como o serial killer que se sente muito seguro de sua competência e esperteza e zomba da policia espalhando pistas de sua identidade, os manipuladores sabem que os manipulados não podem fazer nada com a informação que recebem, e na maioria dos casos nem vai entender a charada óbvia. Admirável gado novo, somos todos nos dias que correm.

domingo, 7 de março de 2010

Futilidade positiva e operante...e assassina

Está nos jornais de hoje: midia e o poder publico em BH “preocupados” com o que adoram chamar de “carnificina no transito” da capital. Milhares de mortes e mutilações em acidentes que são invarivelmente atribuídos a chuva e ao aumento de veículos em circulação – por esse argumento as populações de Los Angeles ou Bombaim ja deviam estar extintas.
Mas essas mesmas autoridades e mídia são ativissimas em incentivar, apoiar e patrocinar uma “cultura de boteco” - que a industria de cerveja agradece, sabe-se lá como – onde a futilidade ativa e militante das pessoas as libera para se embriagar diariamente, e matar e morrer como moscas no transito. Em nosso país a burrice é uma política de estado.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Tiraram o bode da sala

Após uma greve de transportes urbanos de 4 dias os coletivos voltam a circular em BH. Aí os jornais da cidade(que ontem em todas as manchetes falavam em CAOS – se proibissem essa palavrinha, a imprensa brasileira, em sua infinita criatividade, acabava na hora, e ninguém perdia nada)..Mas o assunto é o fim da greve que foi saudado com profusão de obas e vivas pela mesma imprensa. Considerando que temos o pior sistema de transporte coletivo do mundo e o mais caro também, não dá pra não pensar na historia da vaca- ou bode- na sala, do guru indiano (ou chinês, dependendo da versão) quando se fala da alegria popular pela volta dos paus de arara urbanos dessa terra.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Porque eu ia querer isso???? (4)

Nao canso de me impressionar com a criatividade dos vigaristas especializados em explorar a capacidade de auto-ilusão, ignorancia e baixissima auto estima da pequena burguesia brasileira; e nem estou pensando em televangelistas, televisão aberta, ou sertanojos em geral, pois o obvio nao causa espanto.
Estou me referindo a esses abundantes anuncios, geralmente via e-mail, que oferecem para descobrir a origem (aristocrática, obviamente) de seu nome de familia, com brasões e insignias que provam sua origem nobre, como vc ja desconfiava. Ninguem perde dinheiro ao apostar na síndrome de vira latas de nossos compatriotas, como bem diagnosticou o grande Nelson Rodrigues, quem mais fundo desceu nas profundezas (nem tao profundas assim, afinal) lamacentas da alma dos patricios.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Um filósofo popular

"se o mundo prestasse o dono morava nele"

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Porque eu ia querer isso??? (3)

Nesse capitulo das bizarrices dos meus conterrâneos, que me parece algo muito peculiar de nossa boa gente mineira, outro hábito estranhíssimo é quando vc tem uma das portas do carro não completamente fechada, com o segundo estagio aberto. Eles endoidam pra te avisar.
Sabem que a porta não abre, não tem ninguém no banco de trás correndo risco de cair, mas eles não se conformam; buzinam, piscam farol, fazem sinais estranhos com as mãos, e se tudo falhar dão uma fechada te obrigam reduzir e parar até que vc sinalize de volta sua enorme gratidão pelo aviso salvador. Isso acontece a todo momento e vale tb para os casos em que vc deixa, propositalmente, os faróis acesos de dia – pq vc acha que faróis não são somente pra vc ver melhor no escuro, mas para que seu carro tb possa ser visto em certas situações. Eles ficam possuídos e te perseguem por quilômetros até que vc apague. Uma versão pedestre desse estranho fenômeno psicossocial é se vc ousar sair de casa com um cadarço do sapato desamarrado. Vc será mais perseguido que o pobre Frankenstein nos antigos filmes da Universal. Agora, se vc estiver com o zíper da braguilha um pouco aberto, não terá perdão dos inspetores de passarinho soltos. É...Eles são muito estranhos mesmo.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Por que ia querer isso???? (2)

Antes eu pensava que era alucinação..Que só eu via isso; mas depois outras pessoas, muito timidamente (pq tb pensavam que era alucinação) passaram a mencionar o mesmo fenômeno: aqui em BH os outros carros seguem seu carro; igual cachorros perdidos na rua, que te acompanham, quando vc está na caminhada, entende?
Naturalmente eles tb estão indo a algum lugar, mas só vão ao seu destino se achar um carro na frente que está indo na mesma direção, senão se desorientam. Quando estão atrás de vc e vc para ou muda de rumo eles parecem se enfurecer pq terão de buscar outro carro pra seguir e isso pode ser um pouco difícil. Alguém sabe me explicar pq isso acontece???

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

O mais baixo na escala do trabalho...

Um suposto Boris Casoy, suposto talking-head (cabeça falante) de uma suposta rede de televisão teria afirmado no ar, em seu suposto programa que "os garis são o mais baixo na escala do trabalho". Depois dizem que nao se aprende nada com a televisão: até então eu pensava que a mais baixa posição na escala de trabalho - e humana - era emulada acirradamente por...jornalistas e advogados. Imagina que tolo que eu era.

domingo, 3 de janeiro de 2010

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Por que eu ia querer isto? (1)

No geral sou completamente a favor do assim dito (pejorativamente, na mídia ultra reacionária que domina toda forma de comunicação social no país) “politicamente correto”: É claro que precisamos de uma lei contra o racismo, pq se os pais – com medo da policia – não se expressarem de modo discriminatório contra minorias raciais, os filhos não terão modelos imediatos tão nefastos para perpetuar esse horror irracional. Mas é obvio que isso leva também a outros tipos de absurdos, no exato sentido que menciono no post anterior. Exemplo? No ultimo governo da ditadura militar tinha um Ministério da Desburocratização – criar um ministério pra isso? Já estamos com problemas, não? – e então um dia vi uma entrevista do ministro titular dizendo, com desgosto, diga-se a seu favor, que tinham abolido o reconhecimento de firma de documentos a serem apresentados em repartições oficiais, mas que quando algum distraído chegava com um documento com a tal de “firma reconhecida” o documento era rejeitado com base na lei que abolia a exigência. Quer dizer... Não sei o que dizer... Mas me parece muito coerente com outro fenômeno comum nos assim chamados anos de chumbo: presos políticos torturados nas masmorras do regime militar denunciavam as torturas sofridas na imprensa estrangeira, e então eram torturados de novo por “denegrir a imagem do Brasil no exterior” ao fazerem as denuncias iniciais, entenderam??

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Isso te parece familiar?

Há um conto que queria reler e não tenho certeza do autor, mas acho que é do Monteiro Lobato. Se alguém souber do que se trata gostaria de ser informado no espaço dos comentários. Não sei pq, mas tenho pensado muito nessa história recentemente. Diz que um padre do interior sentia-se particularmente incomodado com a atitude das beatas, que repetiam as palavras das práticas – sermões, missas, pregações, rezas dos livros, mandamentos e preceitos – com total automatismo e sem nenhuma reflexão ou sinal de compreensão do verdadeiro sentido das coisas ditas. Uma devota, particularmente assídua e fiel, desgostava o zeloso pároco. Um dia ele resolve chamá-la em seu gabinete e explicar essas coisas, até pq era consciente também de seu papel de educador do rebanho. A pobre mulher a tudo ouvia e concordava, confusa entre o orgulho pela atenção especial do padre e certo constrangimento pela repreensão. O padre, apesar de seu esforço heróico, percebia que não estava conseguindo se fazer entender, e já sem tempo para o próximo batizado, resolve que iria escrever tudo o que dissera, para que a beata pudesse ler com tempo e calma de modo a melhor apreender seu conteúdo. Assim fez, e dias depois entregou o pequeno discurso escrito em algumas laudas em letras grandes e palavras simples, recomendando á ovelha pouco afeita às atividades intelectuais, tantas leituras quanto as que achasse necessárias para apreensão do sentido de sua prédica. Dias depois, já quase esquecido do episódio, percebe a fiel discípula correndo alegre em sua direção, com as folhas de papel na mão, e exclamado plena de certeza de ter atendido às recomendações do pastor:
- Padre, padre, decorei tudo, tudo..tudinho...