segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Chris Hedges: Orwell estava certo. Huxley, também

2011: A Brave New Dystopia

by Chris Hedges

As duas grandiosas visões sobre uma futura distopia foram as de George Orwell em 1984 e de Aldous Huxley em Brave New World. O debate entre aqueles que assistiram nossa decadência em direção ao totalitarismo corporativo era sobre quem, afinal, estava certo. Seria, como Orwell escreveu, dominado pela vigilância repressiva e pelo estado de segurança que usaria formas cruas e violentas de controle? Ou seria, como Huxley anteviu, um futuro em que abraçariamos nossa opressão embalados pelo entretenimento e pelo espetáculo, cativados pela tecnologia e seduzidos pelo consumismo desenfreado? No fim, Orwell e Huxley estavam ambos certos. Huxley viu o primeiro estágio de nossa escravidão. Orwell anteviu o segundo.

Temos sido gradualmente desempoderados por um estado corporativo que, como Huxley anteviu, nos seduziu e manipulou através da gratificação dos sentidos, dos bens de produção em massa, do crédito sem limite, do teatro político e do divertimento. Enquanto estávamos entretidos, as leis que uma vez mantiveram o poder corporativo predatório em cheque foram desmanteladas, as que um dia nos protegeram foram reescritas e nós fomos empobrecidos. Agora que o crédito está acabando, os bons empregos para a classe trabalhadora se foram para sempre e os bens produzidos em massa se tornaram inacessíveis, nos sentimos transportados do Brave New World para 1984. O estado, atulhado em déficits maciços, em guerras sem fim e em golpes corporativos, caminha em direção à falência.

[...]

Orwell nos alertou sobre um mundo em que os livros eram banidos. Huxley nos alertou sobre um mundo em que ninguém queria ler livros. Orwell nos alertou sobre um estado de guerra e medo permanentes. Huxley nos alertou sobre uma cultura de prazeres do corpo. Orwell nos alertou sobre um estado em que toda conversa e pensamento eram monitorados e no qual a dissidência era punida brutalmente. Huxley nos alertou sobre um estado no qual a população, preocupada com trivialidades e fofocas, não se importava mais com a verdade e a informação. Orwell nos viu amedrontados até a submissão. Mas Huxley, estamos descobrindo, era meramente o prelúdio de Orwell. Huxley entendeu o processo pelo qual seríamos cúmplices de nossa própria escravidão. Orwell entendeu a escravidão. Agora que o golpe corporativo foi dado, estamos nus e indefesos. Estamos começando a entender, como Karl Marx sabia, que o capitalismo sem limites e desregulamentado é uma força bruta e revolucionária que explora os seres humanos e o mundo natural até a exaustão e o colapso.

“O partido busca todo o poder pelo poder”, Orwell escreveu em 1984. “Não estamos interessados no bem dos outros; estamos interessados somente no poder. Não queremos riqueza ou luxo, vida longa ou felicidade; apenas poder, poder puro. O que poder puro significa você ainda vai entender. Nós somos diferentes das oligarquias do passado, já que sabemos o que estamos fazendo. Todos os outros, mesmo os que se pareciam conosco, eram covardes e hipócritas. Os nazistas alemães e os comunistas russos chegaram perto pelos seus métodos, mas eles nunca tiveram a coragem de reconhecer seus próprios motivos. Eles fizeram de conta, ou talvez tenham acreditado, que tomaram o poder sem querer e por um tempo limitado, e que logo adiante havia um paraíso em que os seres humanos seriam livres e iguais. Não somos assim. Sabemos que ninguém toma o poder com a intenção de entregá-lo. Poder não é um meio; é um fim. Ninguém promove uma ditadura com o objetivo de assegurar a revolução; se faz a revolução para assegurar a ditadura. O objeto da perseguição é perseguir. O objeto de torturar é a tortura. O objeto do poder é o poder”.

O filósofo político Sheldon Wolin usa o termo “totalitarismo invertido” no livro “Democracia Ltda.” para descrever nosso sistema político. É um termo que não faria sentido para Huxley. No totalitarismo invertido, as sofisticadas tecnologias de controle corporativo, intimidação e manipulação de massas, que superam em muito as empregadas por estados totalitários prévios, são eficazmente mascaradas pelo brilho, barulho e abundância da sociedade de consumo. Participação política e liberdades civis são gradualmente solapadas. O estado corporativo, escondido sob a fumaça da indústria de relações públicas, da indústria do entretenimento e do materialismo da sociedade de consumo, nos devora de dentro para fora. Não deve nada a nós ou à Nação. Faz a festa em nossa carcaça.

O estado corporativo não encontra a sua expressão em um líder demagogo ou carismático. É definido pelo anonimato e pela ausência de rosto de uma corporação. As corporações, que contratam porta-vozes atraentes como Barack Obama, controlam o uso da ciência, da tecnologia, da educação e dos meios de comunicação de massa. Elas controlam as mensagens do cinema e da televisão. E, como no Brave New World, elas usam as ferramentas da comunicação para aumentar a tirania. Nosso sistema de comunicação de massas, como Wolin escreveu, “bloqueia, elimina o que quer que proponha qualificação, ambiguidade ou diálogo, qualquer coisa que esfraqueça ou complique a força holística de sua criação, a sua completa capacidade de influenciar”.

O resultado é um sistema monocromático de informação. Cortejadores das celebridades, mascarados de jornalistas, experts e especialistas, identificam nossos problemas e pacientemente explicam seus parâmetros. Todos os que argumentam fora dos parâmetros são desprezados como chatos irrelevantes, extremistas ou membros da extrema esquerda. Críticos sociais prescientes, como Ralph Nader e Noam Chomsky, são banidos. Opiniões aceitáveis cabem, mas apenas de A a B. A cultura, sob a tutela dos cortesãos corporativos, se torna, como Huxley notou, um mundo de conformismo festivo, de otimismo sem fim e fatal.

Nós nos ocupamos comprando produtos que prometem mudar nossas vidas, tornar-nos mais bonitos, confiantes e bem sucedidos — enquanto perdemos direitos, dinheiro e influência. Todas as mensagens que recebemos pelos meios de comunicação , seja no noticiário noturno ou nos programas como “Oprah”, nos prometem um amanhã mais feliz e brilhante. E isso, como Wolin apontou, é “a mesma ideologia que convida os executivos de corporações a exagerar lucros e esconder prejuízos, sempre com um rosto feliz”. Estamos hipnotizados, Wolin escreve, “pelo contínuo avanço tecnológico” que encoraja “fantasias elaboradas de poder individual, juventude eterna, beleza através de cirurgia, ações medidas em nanosegundos: uma cultura dos sonhos, de cada vez maior controle e possibilidade, cujos integrantes estão sujeitos à fantasia porque a grande maioria tem imaginação, mas pouco conhecimento científico”.

Nossa base manufatureira foi desmantelada. Especuladores e golpistas atacaram o Tesouro dos Estados Unidos e roubaram bilhões de pequenos acionistas que tinham poupado para a aposentadoria ou o estudo. As liberdades civis, inclusive o habeas corpus e a proteção contra a escuta telefônica sem mandado, foram enfraquecidas. Serviços básicos, inclusive de educação pública e saúde, foram entregues a corporações para explorar em busca do lucro. As poucas vozes dissidentes, que se recusam a se engajar no papo feliz das corporações, são desprezadas como freaks.

[...]

A fachada está desabando. Quanto mais gente se der conta de que fomos usados e roubados, mais rapidamente nos moveremos do Brave New World de Huxley para o 1984 de Orwell. O público, a certa altura, terá de enfrentar algumas verdades doloridas. Os empregos com bons salários não vão voltar. Os maiores déficits da história humana significam que estamos presos num sistema escravocrata de dívida que será usado pelo estado corporativo para erradicar os últimos vestígios de proteção social dos cidadãos, inclusive a Previdência Social.

O estado passou de uma democracia capitalista para o neo-feudalismo. E quando essas verdades se tornarem aparentes, a raiva vai substituir o conformismo feliz imposto pelas corporações. O vazio de nossos bolsões pós-industriais, onde 40 milhões de norte-americanos vivem em estado de pobreza e dezenas de milhões na categoria chamada “perto da pobreza”, junto com a falta de crédito para salvar as famílias do despejo, das hipotecas e da falência por causa dos gastos médicos, significam que o totalitarismo invertido não vai mais funcionar.

Nós crescentemente vivemos na Oceania de Orwell, não mais no Estado Mundial de Huxley. Osama bin Laden faz o papel de Emmanuel Goldstein em 1984. Goldstein, na novela, é a face pública do terror. Suas maquinações diabólicas e seus atos de violência clandestina dominam o noticiário noturno. A imagem de Goldstein aparece diariamente nas telas de TV da Oceania como parte do ritual diário da nação, os “Dois Minutos de Ódio”. E, sem a intervenção do estado, Goldstein, assim como bin Laden, vai te matar. Todos os excessos são justificáveis na luta titânica contra o diabo personificado.

A tortura psicológica do cabo Bradley Manning — que está preso há sete meses sem condenação por qualquer crime — espelha o dissidente Winston Smith de 1984. Manning é um “detido de segurança máxima” na cadeia da base dos Fuzileiros Navais de Quantico, na Virginia. Eles passa 23 das 24 horas do dia sozinho. Não pode se exercitar. Não pode usar travesseiro ou roupa de cama. Médicos do Exército enchem Manning de antidepressivos. As formas cruas de tortura da Gestapo foram substituídas pelas técnicas refinadas de Orwell, desenvolvidas por psicólogos do governo, para tornar dissidentes como Manning em vegetais. Quebramos almas e corpos. É mais eficaz. Agora todos podemos ir ao temido quarto 101 de Orwell para nos tornarmos obedientes e mansos.

Essas “medidas administrativas especiais” são regularmente impostas em nossos dissidentes, inclusive em Syed Fahad Hasmi, que ficou preso sob condições similares durante três anos antes do julgamento. As técnicas feriram psicologicamente milhares de detidos em nossas cadeias secretas em todo o mundo. Elas são o exemplo da forma de controle em nossas prisões de segurança máxima, onde o estado corporativo promove a guerra contra nossa sub-classe política – os afro-americanos. É o presságio da mudança de Huxley para Orwell.

“Nunca mais você será capaz de ter um sentimento humano”, o torturador de Winston Smith diz a ele em 1984.”Tudo estará morto dentro de você. Nunca mais você será capaz de amar, de ter amigos, do prazer de viver, do riso, da curiosidade, da coragem ou integridade. Você será raso. Vamos te apertar até esvaziá-lo e vamos encher você de nós”.

O laço está apertando. A era do divertimento está sendo substituída pela era da repressão. Dezenas de milhões de cidadãos tiveram seus dados de e-mail e de telefone entregues ao governo. Somos a cidadania mais monitorada e espionada da história humana. Muitos de nós temos nossa rotina diária registrada por câmeras de segurança. Nossos hábitos ficam gravados na internet. Nossas fichas são geradas eletronicamente. Nossos corpos são revistados em aeroportos e filmados por scanners. Anúncios públicos, selos de inspeção e posters no transporte público constantemente pedem que relatemos atividade suspeita. O inimigo está em toda parte.

Aqueles que não cumprem com os ditames da guerra contra o terror, uma guerra que, como Orwell notou, não tem fim, são silenciados brutalmente. Medidas draconianas de segurança foram usadas contra protestos no G-20 em Pittsburgh e Toronto de forma desproporcional às manifestações de rua. Mas elas mandaram uma mensagem clara — NÃO TENTE PROTESTAR. A investigação do FBI contra ativistas palestinos e que se opõem à guerra, que em setembro resultou em buscas em casas de Minneapolis e Chicago, é uma demonstração do que espera aqueles que desafiam o Newspeak oficial. Os agentes — ou a Polícia do Pensamento — apreenderam telefones, computadores, documentos e outros bens pessoais. Intimações para aparecer no tribunal já foram enviadas a 26 pessoas. As intimações citam leis federais que proíbem “dar apoio material ou recursos para organizações terroristas estrangeiras”. O Terror, mesmo para aqueles que não tem nada a ver com terror, se torna o instrumento usado pelo Big Brother para nos proteger de nós mesmos.

“Você está começando a entender o mundo que estamos criando?”, Orwell escreveu. “É exatamente o oposto daquelas Utopias estúpidas que os velhos reformistas imaginaram. Um mundo de medo, traição e tormento, um mundo em que se atropela e se é atropelado, um mundo que, ao se sofisticar, vai se tornar cada vez mais cruel”.

Hora de Comparar os Presentes da Natal

Os primos da cidade foram passar o natal com os parentes do sítio. Um dia após o natal tava lá o primo da cidade esnobando com o primo caipira, o que tinha ganhado de presente.

O primo da cidade, querendo se mostrar, falou:
- Primo, viu o que eu ganhei de presente? Um ' Ipod '... Espetacular!!!...

O primo caipira retrucou:
- Bão primo, muito bão!!!... bão dimais!!!...

Aí o da cidade perguntou:
- E o que foi que você ganhou?
- Ganhei isso aí tamém, uai...
- Mas, quem te deu?...
- Minha prima... tua irmã...
- E de que marca era?
- Sei lá, primo. Nóis dois tava onti na cachuera nadano pelado... eu cheguei pur di trás dela e incostei...
Ela virou pra mim e falô: 'Aí Pode!' É bão dimaissssss, primo... agora, si tem marca, eu sei não, aqui nóis conheci como cu...

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Sin Nombre Trailer - Pelicula



Sin Nombre
Esse vídeo é o trailer de um filme muito, muito, muito bom...forte, verdadeiro, honesto e bom de ver. Mas me deu muita raiva também... E de pura inveja. O cara que o concebeu e dirigiu, Cary “Joji” Fukunaga, meio japonês, meio sueco e meio americano, se é que pode ter três metades... só tem 33 anos e consta que esse é seu primeiro longa. Puta que pariu, digamos assim. As vezes me dá um certo medo que as pessoas desaprendam certas coisas como cozinhar e fazer filmes. Esse camarada prova que não, que é possível gente jovem fazer as coisas direito. E isso certamente é muito bom...tirando, claro, a inveja do talento.


sábado, 4 de dezembro de 2010

Balada de Robert Johnson


Dizem que as regiões onde estão as três fontes de toda música popular que importa no mundo são o Nordeste do Brasil, o Caribe e o Sul dos Estados Unidos. E não por acaso brotado de raízes negras nos três casos.
O gaitista Flavio Guimarães, o poeta Bráulio Tavares e o repentista Sebastião Silva se encarregaram de um crossover entre o blues sul - norte-americano e o canto popular do nordeste Brasileiro.. ouçam e julguem.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Deolinda- Fado Toninho-


esse estranho jeito português de ser...

terça-feira, 23 de novembro de 2010

No Elevador

Duas funcionarias adultas, colegas de trabalho, falando uma com a outra: a primeira fala de uma terceira que não veio trabalhar devido à morte de seu bisavô, ao que a interlocutora responde, consoladora:
- “mas ele já devia ser bem velhinho não é?” para a primeira replicar:
- “isso não sei, ela nunca comentou”
(mas eu tinha me esquecido que o diálogo nao se encerrou assim..teve uma frase final..) a que disse que: "ele ja devia ser bem velhinho" refletiu melhor e ponderou: "
-"mas ela (a que faltou de serviço pela morte do bisavô) tambem é nova né?" - dando a entender que, por isso, o tal bisavô talvez nem fosse tão velho assim.
Fiquei pensando no modo como as pessoas que assistiam o filmes do Buñuel, quando eram novidades, achavam absurdas as coisas que os personagens dos filmes diziam e faziam, como se nada daquilo fosse possivel, mas mero fruto de uma imaginação delirante.

sábado, 20 de novembro de 2010

Livros, o alimento da alma

Gosto de comprar livros pela internet; são mais baratos, nao precisa andar (sou preguiçoso) e as resenhas, as vezes descabeladas, que acompanham cada livro me divertem muito.
Zapeando na Submarino hoje, selecionei essas duas perolas que reproduzo ipsis literis.
Imagina o trabalho do juiz para decidir quem é o verdadeiro autor de uma obra psicografada? E eles tratam da coisa a sério.
Depois, é universalmente sabido da fixação dos alemães pelos restos alimentares digeridos e excretados pelo corpo, a ponto de, segundo consta, lá no país onde eles moram, os vasos sanitarios possuem o bojo coletor dos dejetos voltado para frente do, digamos, obreiro, para que este possa observar atentamente o aspecto de sua obra, antes de dar descarga. Possivelmente se perguntar um deles porque fazem isso vão dizer que é por questão de saude, para saber se tem alteração nas fezes e coisas assim; mas desconfio que a verdadeira resposta seja um pouco mais complicada e tem a ver com sua trajetória como nação de pessoas singulares e um tanto esquisitonas. Enfim a autora de Zonas Úmidas, Helen Memel, de 18 aninhos, nos conduz um pouco mais a fundo nesse fascinante mundo da materia fecal, em sua obra, com duplo sentido, por favor.
As sinopsis:
A Psicografia Ante os Tribunais
"O autor da presente obra, o advogado Miguel Timponi, relata todo o processo, desde a inicial até a decisão final da justiça, ao reconhecer que, para fins legais, os direitos autorais não podem ser atribuídos a um Espírito desencarnado. Estabelece interessantes comparações entre a obra de Humberto de Campos encarnado e como Espírito, reunindo opiniões de professores, psiquiatras, poetas, cientistas e juristas, que atestam a autenticidade do estilo do escritor póstumo.
O livro trata da ação judicial movida pela viúva e filhos de Humberto de Campos, contra a FEB e Francisco Cândido Xavier, na qual foram pleiteados os direitos autorais sobre a obra psicográfica recebida do Espírito Humberto de Campos. O autor relata todo o processo, desde a inicial até a decisão final da justiça. "

Zonas Úmidas
"Helen Memel tem 18 anos e hábitos no mínimo escatológicos. Usa os aromas vaginais como perfume em gotas atrás das orelhas, cultiva caroços de abacate que gosta de introduzir na vagina e sente imenso prazer em sentar nos vasos sanitários públicos quando estão bem sujos. Ela também nos confessa, sem qualquer sombra de pudor, que tem enorme orgulho de suas hemorróidas com aspecto de couve-flor.
A ação se passa no setor de proctologia de um grande hospital alemão, onde a protagonista e narradora da história se recupera de uma cirurgia no ânus. É quando ela tem a oportunidade de refletir sobre seu corpo - entre uma e outra fantasia sexual com a equipe de enfermeiros que se tornam sua maior companhia no quarto do hospital. A intervenção foi necessária devido a um acidente provocado por ela mesma numa tentativa frustrada de barbear sozinha suas partes íntimas.
Depois do sucesso de vendas na Europa, a personagem criada por Charlotte Roche é considerada por muitos uma heroína feminista ousada, mas o livro chegou a ser inicialmente rejeitado por várias editoras alemãs, que o consideraram pornográfico. Segundo a autora, Zonas Úmidas vai além disso: "Eu quis escrever sobre sexualidade feminina e propositadamente exagerei nos detalhes. Escrevi cenas com a intenção de deixar as pessoas excitadas, com o rosto corado e quente, como quando assistem a uma cena mais explícita de sexo na TV"".

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Marcelo Adnet ironiza eleitores elitistas no Comédia MTV

quem nao ouviu - ou disse - algo assim???? (ahhhh...com pobre recebendo bolsa familia não quer mais limpar a sujeira da gente e so quer fazer filho..assim não dá..assim não pode..)

sábado, 13 de novembro de 2010

Quanto Vale a Moral dos Pobres Para a Nossa Justiça

No Rio de Janeiro, vendedora queimada com ferro de passar roupa pelo gerente receberá indenização de R$ 5 mil
Correioweb
12/11/2010 13:18
O Tribunal Superior do Trabalho manteve a decisão de condenar uma empresa ao pagamento de indenização por danos morais no valor de R$ 5 mil a uma funcionária que teve a perna queimada pelo gerente com um ferro de passar roupa.
A vendedora declarou que estava cansada de ficar em pé quando resolveu se sentar para descansar, quase no final do expediente. O gerente, que passava roupas no interior da loja, mandou que ela se levantasse e, diante da negativa, encostou o ferro quente na perna da vendedora, causando-lhe queimadura na coxa esquerda.
A funcionária registrou ocorrência policial e o crime foi classificado como tortura. No dia seguinte à agressão, ela deixou o emprego e ajuizou uma ação trabalhista para pedir indenização por danos morais, no valor de 200 vezes do último salário recebido.
A empresa alegou que o incidente não passou de “uma brincadeira descontraída entre colegas de trabalho, cujo resultado incidiu em uma lesão”. A Vara do Trabalho considerou o argumento da empresa descabido e a juíza sentenciante considerou que o gerente “assumiu o risco das consequências” de sua “grave negligência”. A empresa foi condenada a pagar 100 salários mínimos pelos danos morais (cerca de R$ 30 mil à época).
A empresa recorreu ao Tribunal Regional do Trabalho do Rio de Janeiro, que manteve a condenação, mas diminuiu o valor da indenização para R$ 5 mil. Ao recorrer para o Tribunal Superior do Trabalho, a empresa teve seu pedido negado e a sentença foi mantida.

sábado, 6 de novembro de 2010

Blogosfera em Transe ou Obrigado Mayara Petruso, Por Expor as Entranhas de Sua/Nossa Gente ou Só se Desilude Quem Se Ilude

É quase impossível ignorar certas ondas que surgem nas mídias sociais. São verdadeiras tsunamis de informações e conceitos que só se poderia deixar de tomar conhecimento se você estivesse morto ou enterrado vivo. O foco dessa introdução é a avalanche de torpeza, ignorância e ignomínia manifestada nas eleições presidenciais de outubro 2010.
E o catalisador foi a obra da famigerada (no sentido empregado no conto homônimo de JGR) advogada paulistana Mayara Petruso que, talvez por sua pouca idade e escassa vivencia, acabou expressando publicamente o que muitos de seus conterrâneos pensam mas não dizem:
Que seria um grande beneficio ao estado de São Paulo se cada um de seus nativos buscasse afogar um “nordestito” (ela queria dizer nordestino, mas parece ter muitos problemas com a língua pátria além dos que tem com os habitantes dessa região do país).
Automaticamente relacionei sua façanha com os abundantes desastres de transito, que cada vez matam e mutilam mais em nosso país.
A relação pode nao ser muito evidente e tem a ver com a teoria econômica conhecida por “desenvolvimento induzido”, que, grosso modo, explica a súbita prosperidade de um país a partir, principalmente, de uma intervenção estrangeira, externa, com escassa eu nenhuma evolução educacional, cultural e existencial se seu próprio povo. Isso foi mais ou menos que ocorreu em nosso país em tempos recentes.
A situação do transito sempre me espantou; ver a enorme importância que a mídia dá ao assim chamado “terrorismo” e quase nenhuma à guerra diaria do transito me levou a pesquisar os números. Descobri uma estatística na Revista das Forças Armadas informando que nos últimos 7 (sete) anos em todo o mundo estima-se que atentados terroristas tenham tirado a vida de 39.000 pessoas EM TODO O MUNDO. Todos os anos nossos motoristas-terroristas matam quase 50.000 brasileiros, e mutilam um numero muito maior: são 10 vezes mais letais que todos os terroristas do mundo inteiro. Isso não é pouca coisa.
Penso que seria fazer pouco da inteligência e perspicácia dos outros tentar explicar mais o que quero dizer.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Manu Chao - Welcome to Tijuana

Manu Chao - Welcome to Tijuana

Por paradoxal que pareça trabalhadores sul americanos ainda encontram mais dignidade e respeito como imigrantes ilegais clandestinos nos EUA que como cidadãos em seus paises de origem. E como a travessia na fronteira MEXICO/USA é assunto candente nos dias que correm, o melhor comentario sobre o tema, como acontece com frequencia, é uma musica...

terça-feira, 14 de setembro de 2010

sábado, 21 de agosto de 2010

Al Capone, patrono dos ecologistas

As eleições presidenciais de 2010 trouxeram a ecologia para o centro do debate político porque tem uma candidata do ramo. Não importa que o papel dela seja somente o de tirar votos da candidata oficial, numa jogada de desespero das hostes direitistas para evitar o fim precoce do PSDB (ex-PMDB autentico), no caso de uma vitória no primeiro turno – cada vez mais provável – da candidata do governo.
Sempre que ouço falar em “proteção da natureza” tenho um certo mal estar.
O mesmo que me ocorre quando escuto – a classe media “consciente” adora - o tal: “eu amo a natureza”. Como se o falante fosse um ente à parte, não natural. E talvez seja mesmo. Que sei eu?
Mas voltemos ao negócio – é negócio mesmo – da “proteção da natureza”. Essa “proteção” sempre soa como a mesma que a máfia vendia em Chicago nos anos 30 do século passado e o PCC vende na periferia de São Paulo hoje. A natureza não precisa de proteção, só de ser deixada em paz. Até porque, como a turma do velho Alphonse, o “protetor” e a ameaça são os mesmos.
Ecologia é a nova religião sem Deus, dos dias atuais, para aplacar a má consciência de burgueses tolos, fúteis e consumistas. O marxismo meio que já fez esse papel em outros tempos, mas perdeu o charme.

sábado, 14 de agosto de 2010

O ganha pão (que o diabo amassou) da imprensa

A “vantagem” de sermos um povo sem memória, como dizem, é que sempre estamos nos espantando com coisas antigas. Todo esse alvoroço envolvendo as barbaridades cometidas pelo goleiro do Flamengo, Bruno e cúmplices, cujos detalhes não precisam ser repetidos, por escabrosos, grotescos e tão copiosamente reprisados pela mídia sensacionalista – quase toda – que dispensa qualquer recapitulação. O que pretendo abordar aqui são os aspectos psicosociais do fenômeno que se configura no espanto, meio real meio simulado, de pessoas e instituições que fingem não saber que o crime, a barbárie, o banditismo puro e simples, a fraude, a ambição desmedida, a manipulação de emoções populares, o endeusamento e destruição de ídolos criados sob medida para consumo imediato, sempre fizeram parte do ambiente do futebol. Como dizia o grande Juca Chaves em tempos quase pré-históricos, o futebol é o ganha pão da imprensa.
São inúmeros os fenômenos de perversão e corrupção que rondam os estádios e clubes, desde sempre.
E um dos piores é o modo como o imaginário popular é mobilizado por fantasias de sucesso, fama e dinheiro fácil que faz com que famílias pobres de todo o interior do país acabem por entregar seus filhos para traficantes de ilusões que os abandonam na periferia das grandes cidades depois de os explorar o mais que podem.
Tais delinqüentes rondam os campos de várzea e pequenos estádios do interior, assediando os meninos e jovens atletas com promessas de fama e fortuna, a partir de testes em grandes clubes das capitais, que abririam as portas do sucesso, inclusive, no exterior, gloria suprema.
Mas para isso os pais, dizem os malfeitores, tem de arcar com as despesas de manutenção de sua prole – que nem está tão empolgada assim, mas embarca na trip familiar - iludida, nos primeiros tempos de testes e experiências nos clubes de maior expressão nas cidades grandes. A exigência de mais dinheiro se repete até que as famílias percam as ilusões e percebam que foram enganadas. Aí os meninos desorientados e assustados são abandonados em casebres na periferia, sem comida, sem roupas e não raro, doentes.
Existem outras versões dessa prática criminosa: mães fascinadas com o mundo da televisão são convencidas a pagar pela produção de um book – álbum de fotografias - de seus rebentos, que a natural corujice materna sempre imagina mais bonitos que são na verdade. Essas fotos e vídeos seriam levados aos estúdios de televisão e sua prole seria contratada por somas fantásticas para anúncios, novelas de TV e até filmes, quem sabe? Esse é um golpe antigo que ainda funciona. Quem sabe a perspectiva de poder finalmente fazer aquela plástica ou a lipo sempre adiada? A viagem a Disney? A compra da mansão e o fim do churrasco na laje? Uma festa de casamento num castelo, num vinhedo no vale do Loire, na França? O céu é o limite...
Mas por falar em filmes, não sei porque, pela importância que o futebol tem para a nossa gente, ainda não se fez um filme bom sobre esses aspectos, da corrupção e crime desse meio. Os mexicanos fizeram recentemente, – chama-se Rudo e Cursi - realização que resulta do concurso de esforços dos maiores realizadores do país: Alejandro Iñarritu, Alfonso e Carlos Cuaron e Guillermo Del Toro. Vale buscar nas locadoras – foi lançado em DVD recentemente – e se deliciar com o modo como o tema é tratado com maestria e fluência pelos craques. E tentar responder a pergunta sobre o motivo pelo qual não podemos fazer algo semelhante.
Quanto ao tema dos futuros atores também existe um filme ótimo do Giuseppe Tornatore, Luomo Delle Stelle, (O Homem das Estrelas) que é um remake perfeito de La Strada (A Estrada da Vida) de Fellini, onde um ótimo Sergio Castellito faz o equivalente ao Zampanó, personagem de Anthony Quinn no original.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

CANCION DEL ARBOL DEL OLVIDO

(A. Ginastera / F. Silva V.)

Victor Jara (Chile)


En mi pago hay un arbol
que del olvido se llama
donde van a consolarse
vidalita, los moribundos del alma.

Para no pensar en vos
en el arbol del olvido
me acoste una nochecita
vidalita, y me quede bien dormido.

Al despertar de aquel sueño
pensaba en vos otra vez
pues me olvide de olvidarte
vidalita, en cuanto me acoste.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

A vida imita a arte...de novo

Mesmo num mundo onde George W. Bush, Fernando Collor, Silvio Berlusconi e assemelhados podem ser presidentes de um país, a prisão de Roman Polanski na Suíça, a pedido dos americanos, onde ainda se encontra, por ter supostamente, há quase 40 atrás, cedido aos encantos de uma Lolita, que hoje, casada e mãe de filhos, tudo que deseja, em suas próprias palavras, é que esqueçam do assunto, soava como um absurdo além dos generosos padrões de surrealismo do mundo atual e pedia explicação mais convincente. E a ninfeta nem era mais virgem ao tempo dos eventos libidinosos.
Agora, pelo preço de um ingresso de cinema pode-se ter essa explicação de modo mais que satisfatório, bastando para isso que se vá assistir ao filme que diretor terminou já na prisão – O Escritor Fantasma – e que contém, em seu enredo, de modo explicito, a tese que o ex primeiro ministro britânico Tony Blair, também conhecido na imprensa inglesa como “o cachorrinho de Bush”, e senhora, não passavam de funcionários da “Companhia”, na folha de pagamento do governo americano como agentes “undercover”, infiltrados, no governo da reino unido para servir aos propósitos imperiais da única superpotência remanescente no mundo, fazendo o serviço sujo na guerra do Iraque principalmente. Como qualquer “gauleiter”, fantoche, nos governos de republiquetas sul americanas, africanas ou asiáticas.
O Tony Blair do filme se chama Adam Lang, e é feito por um Pierce Brosnan sob medida, numa escolha de fina ironia, por ter sido um dos últimos 007 do cinema, o agente secreto de sua majestade que personificava o ultimo motivo de orgulho viril do desdentado Leão Britânico, em sua sanha de varão hiperativo, talvez para compensar, no imaginário universal, a crença no escasso interesse dos ingleses pelas atividades da alcova. Ao menos quando essas atividades envolvem membros do sexo oposto.
Qualquer um que já viu o Pet de Bush, no papel de primeiro ministro, na TV, não tem dúvida que ele precisava de orientação externa para amarrar o sapato ou qualquer outra tarefa de igual complexidade. Enfim, isso – o filme - deve ter soado aos ouvidos – e olhos- dos súditos de sua majestade, como um insulto intolerável, e os americanos apesar, de certamente terem achado uma piada divertida, não podiam se omitir de ajudar o aliado de primeira hora, em todas suas estripulias bélicas, cobrando do governo Suíço o encarceramento do famigerado cineasta. Com quem, convenientemente, já tinham contas a acertar por sua independência, ousadia, pouca vergonha e safadeza.
Isso só reforça a tese que o governo e mídia americanos nunca toleraram a trinca de realizadores, integrada por judeus, baixinhos e abusados, subversivos, provocadores, e muito talentosos, formado por Chaplin, Woody Allen e Roman Polanski. Além do gênio mais que evidente, e empatia com um certo publico letrado – em geral não americano – dividiam também a incontida preferência por mulheres muito jovens, o que na sociedade puritana e hipócrita, que construíram na América do Norte, onde quase sempre a violência exacerbada e nauseante nos filmes substituiu o sexo, e o único instrumento fálico que admitem na tela é uma arma fumegante.
De modo que, sem metáforas, essa violência se reflete de modo simétrico no mundo real, e é imperdoável quem prefere o amor à morte, fornecendo o pretexto mais que suficiente para a retaliação que tarda mas não falha. Woody Allen quase teve a carreira arruinada quando se casou com a jovem enteada vietnamita de sua ex-mulher, Mia Farrow, há alguns anos, e Charles Chaplin, o grande e imortal Carlitos, foi impedido de desembarcar em solo americano – sob pretexto idêntico - depois de uma viagem a Europa, e acabou, findando seus dias no exílio...onde? Na Suíça, claro.
Dos três, o único que ainda não sentiu o peso do braço vingativo de Tio Sam em toda sua fúria – até por ser o menos explicitamente político dos três – foi Woody Allen, mas já sentiu, sem duvida, a rarefação da atmosfera de trabalho, na dificuldade de financiar seus projetos em solo americano, na justa medida que aumenta seu prestigio no exterior, onde tem filmado intensamente, a convite de governos e produtores independentes. Mas tem de ficar esperto para não dar pretexto para uma ação mais enérgica, com a CIA, o FBI, os “county sheriffs”,e os Marines em seu encalço por qualquer infração de transito, ou atraso no pagamento da conta de luz.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Questão de Ponto de Vista

Christa Schroeder foi secretária pessoal de Hitler durante todos seus anos no poder (1933/1945) até os dias finais. Encontrei seu livro sobre esse período de sua vida, em uma dessas bancas de encalhes das livrarias, com desconto, o que é uma injustiça, pois apesar de não trazer propriamente novidades nem grandes lances políticos, é muito revelador dos aspectos, digamos, humanos, em falta de palavra melhor, da pessoa do Fuhrer do terceiro Reich, e seu staff, de quem viveu próxima, nos momentos cruciais. Certas curiosidades maliciosas ressaltam do relato, que ao invés desqualificarem a obra, acrescentam credibilidade e relevância. Por exemplo, o modo como, quando ela percebe que esta sendo reverente e elogiosa demais com o chefe, salpica uma ou outra critica ao longo do texto, meio que para se desvincular das ações nefastas do velho Adolf e sua turma. Mas o mais interessante mesmo fica bem para os dias finais, quando, com o exército soviético às portas de Berlim, e o fim inevitável se anunciando no horizonte, ela destaca com nitidez o estado de animo do chefe que, segundo suas palavras, se mostrava desiludido e amargurado com a maldade humana. E a fonte imediata desse estado de espírito é explicitada com sua convicção na traição dos comandantes da Wermacht e das SS, que por sabotagem ou incompetência não obtinham as vitórias necessárias ao alcance de seu projeto de conquista. E os soldados por não lutarem com mais coragem e empenho. E certamente se sentiu traído pela perfídia da resistência das “raças inferiores”, principalmente dos russos, que não se deixavam abater com o mesmo fatalismo e espírito de sacrifício que os judeus nos campos de extermínio. O maior incomodo e perturbação causado da leitura, entretanto é como fica evidente que a grande “qualidade” do velho genocida não foi sua desumanidade, mas ao contrario, a concentração, no mais alto grau de características muito humanas, que percebo ter encontrado em muita, mas muita gente mesmo, ao longo da vida. Esses apenas não as possuíam no mesmo grau e nem acharam terreno fértil para desenvolver seus próprios projetos.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Estaremos crescendo, afinal???

Será impressão minha ou os brasileiros estamos menos empolgados com esse negócio de copa do mundo??? Aquela folia infantil que acometia o povaréu nessas ocasiões parece ser somente mais um pretexto para bebedeiras e barbaridades no trânsito, como o carnaval, natal e outras festividades que alegra povos infantilizados pela cultura de massas e baixo nivel educacional, e não provoca mais a emoção genuina que fazia com que amigos e parentes se matassem alegremente com tiros e facadas em tempos de outrora, por suas loucas paixões esportivas. Bons tempos aqueles...

sábado, 29 de maio de 2010

No coletivo...

Entreouvido no busão

-Motorista, pode me avisar quando chegar ao final da Avenida do Contorno?
Outra senhora para a trocadora:
-esse ônibus passa na Rua Leopoldina, (e ante a resposta positiva) pode me avisar quando chegar?
A trocadora, meio distraída:
- posso sim mas vc tem de me lembrar quando chegar lá, ando com a cabeça muito ruim esses dias.
Outra passageira para a amiga;
-Deus me perdoe, mas não acredito nesse negócio de disco voador...

sábado, 22 de maio de 2010

No Brasil os séculos não passam, eles se superpõem..

Nos jornais, espantados: os concursos de miss, miss Brasil, miss mundo e coisas assim
bombando novamente; jovens jornalistas tentando entender o ressurgimento de algo que parecia morto e enterrado sob toneladas de cafonice e mau gosto. Como em outras coisas que pareciam extintas e ressurgem, não vejo a razão do espanto: imagina, tuberculose, febre amarela, dengue, ABBA, Creedence Clearwater Revival – mas isso acho que não conta pq sempre que os sobreviventes de alguma banda caquética no hemisfério norte precisam de uns caraminguás pra pagar o asilo e as drogas dos dinossauros do pop pré-histórico, aportam por aqui, por que sabem que sempre serão bem recebidos. Mas e um tal de sertanejo universitário??? Dois conceitos altamente carregados de suspeitas e mal entendidos culturais... Juntos??? Sei não... A barra ta pesando demais.
Depois; novelas e programa de televisão em geral sendo levado a sério nos cadernos B dos grandes jornais; evangélicos de classe média, meninos urbanos fumando cigarros de palha como se fosse o must..
É como um pesadelo em que os anos sessenta voltassem com força, mas somente com o seu lado pavorosamente kitsch, de um mau gosto perverso e cafonice além de qualquer delírio...
Dá a sensação que a qualquer momento vamos ver as matronas com cabelos espetados de laquê, saltos e vestidões –a burguesia marchadeira da ditadura militar – desfilando nas principais avenidas das capitais por Deus, Pátria e Família contra o comunismo ateu. Por favor, me acordem antes que eu morra no sonho como as vitimas de Fredy Krugger...

sábado, 15 de maio de 2010

Só dói quando eu rio

Os jornais de BH dizem que há uma onda de crimes denominados “saidinha bancaria”, na capital, no curioso jargão midiático que reduz toda tragédia a pilhérias idiotas; tal delito consiste, aparentemente, em bandidos que seguem pessoas que acabaram de sacar quantias significativas nos terminais dos bancos, assaltam e freqüentemente matam o incauto. A mesma reportagem informa que as autoridades (mais ou menos) competentes já acharam a solução para o problema; à moda das provas de múltipla escolha convido meus três leitores a adivinhar a solução encontrada:
a- Prender, julgar e condenar os facínoras.
b- Forçar os bancos a oferecer mais segurança para os clientes que lhes proporcionam os maiores lucros do mundo no setor.
c- Proibir as pessoas de usar celular no interior das agencias
d- Dar coletes a prova de balas para todos que precisarem sacar umas merrecas.
e- Recomendar as pessoas que tenham juízo e parem de ficar sacando dinheiro a torto e direito.
Tenho certeza que, conhecendo bem a clarividência, senso de realidade, empenho e discernimento de nossas já referidas “autoridade (quase) competentes” ninguém teve a menor dificuldade de acertar a pegadinha. Pegadinha???? Opssss..melhor não dar idéia...

sábado, 8 de maio de 2010

The Sarah Silvermam Program

Devo dizer logo de cara para não deixar duvidas de qualquer espécie: essa é a melhor série de TV em tempos recentes (tempos que tem se destacado por excelentes séries televisivas – o capital financeiro e criativo tradicionalmente investido nos filmes parece estar se deslocando para esse ramo do entretenimento áudio visual) para o meu gosto particular. Uma jovem senhorita de trinta e poucos, desempregada, completamente amalucada, com um senso de humor ultrajante, desbocada e sem limites, que enfatiza – para debochar – seu judaísmo e do vitimismo spilberguiano que normalmente acompanha o tema. Sem nenhuma preocupação com a moral e os bons costumes. E melhor ainda, sem nenhum compromisso com o “bom gosto” ou o politicamente correto, ou correção de qualquer tipo;
Tipo um Woody Allen sem a pretensão intelectual e infinitamente mais radical em sua visão ácida e corrosiva, sem a “crítica construtiva” (como os Simpsons) e sem boas intenções de qualquer tipo.. Mais para os Marx Brothers só para ficar na riquíssima tradição de comediantes judeu-americanos... E muito, muito engraçada.
A série só durou 3 temporadas, ao menos no que passou na TV ou encontro na Net pra ver, e acho que foi muito, pelo radicalismo surrealista, quase dadaísta com que é escrita e interpretada pela protagonista homônima e sua irmã Laura. Longa vida pras duas.
Impossivel não ligar o que fazem ao ambiente dos cabarés na Alemanha dos anos 20/30 do século passado, onde a inventividade, ousadia existencial e experimentalismo em musica (Brecht e Kurt Weill) e teatro deu pretexto – como se precisassem disso – aos nazistas para reclamar de uma “decadência e corrupção” com que os judeus contaminavam a juventude ariana do país. Não deixa de ser curioso que hoje em dia, os tempos cínicos e desprovidos de parâmetro moralizante, onde, por exemplo, o crime organizado se entranhou de vez na vida cotidiana que é impossível distinguir a ação corporativa “legitima” do gangsterismo mafioso de outros tempos, tudo passe despercebido e se confunda na paisagem geral da diversão descomprometida. Nada ofende aos conservadores que aceitam tudo pq sabem que nada vai perturbar seus ganhos e status. Como costumo dizer: tempos estranhos esses.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Adultos e Crianças

Acabo de ler que pessoas adultas – quer dizer, gente cuja idade em tempos antigos seria considerada adulta – estão brigando por figurinhas, dessas que se cola em um álbum e somente as crianças menores colecionavam antigamente.
Porque não fico espantado? Porque em tempos em que música sertaneja, programas de televisão, novelas incluído, e seitas pentecostais são levados a sério e as pessoas aderem sem constrangimentos, não existe mais nada que se possa considerar próprio de crianças ou adultos. Aliás, os filmes do cinema americano já indicam isso há 20 ou 30 anos: todos os filmes, ou quase todos, são feitos para pessoas com idade mental no grupo etário que eles chamam de teen... Tempos estranhos.

terça-feira, 6 de abril de 2010

O cemiterio dos deuses

Onde fica o cemitério dos deuses mortos? Algum enlutado ainda regará as flores de seus túmulos? Houve uma época em que Júpiter era o rei dos deuses, e qualquer homem que duvidasse de seu poder era ipso facto um bárbaro ou um quadrúpede. Haverá hoje um único homem no mundo que adore Júpiter? E que fim levo Huitzilopochtli? Em um só ano – e isto foi há apenas cerca de quinhentos anos – 50 mil rapazes e moças foram mortos em sacrifício a ele. Hoje, se alguém se lembra dele, só pode ser um selvagem errante perdido nos cafundós da floresta mexicana. Falando em Huitzilopochtli, logo vem à memória seu irmão Tezcatilpoca. Tezcatilpoca era quase tão poderoso: devorava 25mil virgens por ano. Levem-me a seu túmulo: prometo chorar e depositar uma couronne des perles. Mas quem sabe onde fica? (...) Arianrod, Nuada, Argetlam, Morrigu, Tagd, Govannon, Goibniu, Gunfled, Odim, Dagda, Ogma, Ogurvan, Marzin, Dea Dia, Marte, Iuno Lucina, Diana de Éfeso, Saturno, Robigus, Furrina, Plutão, Cronos, Vesta, Engurra, Zer-panitu, Belus, Merodach, Ubililu, Elum, U-dimmer-an-kia, Marduk, U-sab-sib, Nin, U-Mersi, Perséfone, Tammuz, Istar, Vênus, Lagas , Belis, Nirig, Nusku, Nebo, Aa, En-Mersi, Sin, Assur, Apsu, Beltu, Elali, Kusky-banda, Mami, Nin-azu, Zaraqu, Qarradu, Zagaga, Ueras. Peça ao seu vigário que lhe empreste um bom livro sobre religião comparada: você encontrará todos eles devidamente listados. Todos foram deuses da mais alta dignidade – deuses de povos civilizados –, adorados e venerados por milhões. Todos eram onipotentes, oniscientes e imortais. E todos estão mortos.” H. L. Mencken

quarta-feira, 31 de março de 2010

Filme Noir

Não sou um saudosista. O tal de “no meu tempo tal coisa (tudo) era melhor” quase sempre denuncia um velho tolo. Mas depois de se viver alguma décadas – jamais confessarei quantas – algumas coisas saltam aos olhos, em perspectiva histórica, e podem ser comparadas por pessoas de qualquer idade. Falemos de filmes: ninguém que se lembre dos tempos áureos do cinema americano pode deixar de pensar em certas trocas que tivemos de fazer; quem imaginou ter de aceitar o Brad Pitt no lugar do, digamos, Paul Newman? E o Bruce Willis no lugar do Charlton Heston? Ou Leo Di Caprio no lugar do Marlon Brando? Acho que no capitulo das atrizes até que não perdemos muito não..tempos ótimas em ação na atualidade. Ninguém pode se queixar da Nicole Kidman ou da Angelina Jolie; de discordar quem há de???
Mas pense bem nos atores ingleses que sempre bateram ponto nos filmes americanos; em que mundo de absurdos pode-se pensar no Jude Law ou Hugh Grant no pódio que foi de Richard Burton ou Lawrence Olivier? Mas por pior que sejam os tempos os ingleses nunca nos decepcionam (no quesito de fingir) completamente - alguma língua bífida sempre pode invocar a inata perfídia e dissimulação dos nativos da pérfida Albion, como se dizia antigamente, mas isso já entraria no capítulo da pura maledicência nacionalista- ainda temos um Sir Ian McKellen ou Sean Connery, embora não sejam propriamente da novíssima geração.
Mas os exemplos seriam infinitos e cada um pode fazer o paralelo a seu gosto: Steve McQueen no lugar de quem mesmo? Se for com base na refilmagem de The Thomas Crown Affair teríamos de nos contentar com um Pierce Brosnan. Aí fica difícil mesmo né não? Tempos estranhos.

domingo, 21 de março de 2010

Vivendo na Matrix

O cinema é a maior diversão, dizem os publicitários...
E talvez seja mesmo..mas pode ser também uma forma de reflexão muito interessante e eficaz, de mais de um século de existência, que atraiu o interesse de muita gente boa nesse tempo, mas que nunca entrou no cânone das artes sérias, por carregar o estigma de sua origem e vocação popular. Mas por não ser levado a sério ele pode tratar de coisas sérias e ainda assim gerar muito dinheiro, de modo inconsequente e doidivanas.
As vezes denuncia seus próprios mecanismos de manipulação, na forma de uma grande espetáculo do gênero, como O Show de Truman, onde diz com todas as letras que não passamos de patetas integrantes de um reality show e que nunca tivemos vidas autônomas ou ideias próprias, “vivendo” em um realidade cenográfica fajutérrima. Mas o filme que melhor tratou do tema no registro grande-espetaculo-de-correria-e-ação foi Matrix, o primeiro (os outros não tem nada a ver) onde somos informados de modo ainda mais contundente e isento de sutilezas que somos apenas fontes de energia barata (trabalho mal remunerado) parasitados por aliens cruéis, gananciosos e invisíveis (capitalistas globalizados pós muro de Berlim) manipulados por um programa global de realidade virtual que nos faz pensar que levamos uma vida deslumbrante, livre e excitante (televisão). E tudo isso pode ser exibidos nos mesmos veículos que produzem a falsa consciência (cinema, televisão, dvd) porque, simplesmente, como o serial killer que se sente muito seguro de sua competência e esperteza e zomba da policia espalhando pistas de sua identidade, os manipuladores sabem que os manipulados não podem fazer nada com a informação que recebem, e na maioria dos casos nem vai entender a charada óbvia. Admirável gado novo, somos todos nos dias que correm.

domingo, 7 de março de 2010

Futilidade positiva e operante...e assassina

Está nos jornais de hoje: midia e o poder publico em BH “preocupados” com o que adoram chamar de “carnificina no transito” da capital. Milhares de mortes e mutilações em acidentes que são invarivelmente atribuídos a chuva e ao aumento de veículos em circulação – por esse argumento as populações de Los Angeles ou Bombaim ja deviam estar extintas.
Mas essas mesmas autoridades e mídia são ativissimas em incentivar, apoiar e patrocinar uma “cultura de boteco” - que a industria de cerveja agradece, sabe-se lá como – onde a futilidade ativa e militante das pessoas as libera para se embriagar diariamente, e matar e morrer como moscas no transito. Em nosso país a burrice é uma política de estado.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Tiraram o bode da sala

Após uma greve de transportes urbanos de 4 dias os coletivos voltam a circular em BH. Aí os jornais da cidade(que ontem em todas as manchetes falavam em CAOS – se proibissem essa palavrinha, a imprensa brasileira, em sua infinita criatividade, acabava na hora, e ninguém perdia nada)..Mas o assunto é o fim da greve que foi saudado com profusão de obas e vivas pela mesma imprensa. Considerando que temos o pior sistema de transporte coletivo do mundo e o mais caro também, não dá pra não pensar na historia da vaca- ou bode- na sala, do guru indiano (ou chinês, dependendo da versão) quando se fala da alegria popular pela volta dos paus de arara urbanos dessa terra.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Porque eu ia querer isso???? (4)

Nao canso de me impressionar com a criatividade dos vigaristas especializados em explorar a capacidade de auto-ilusão, ignorancia e baixissima auto estima da pequena burguesia brasileira; e nem estou pensando em televangelistas, televisão aberta, ou sertanojos em geral, pois o obvio nao causa espanto.
Estou me referindo a esses abundantes anuncios, geralmente via e-mail, que oferecem para descobrir a origem (aristocrática, obviamente) de seu nome de familia, com brasões e insignias que provam sua origem nobre, como vc ja desconfiava. Ninguem perde dinheiro ao apostar na síndrome de vira latas de nossos compatriotas, como bem diagnosticou o grande Nelson Rodrigues, quem mais fundo desceu nas profundezas (nem tao profundas assim, afinal) lamacentas da alma dos patricios.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Um filósofo popular

"se o mundo prestasse o dono morava nele"

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Porque eu ia querer isso??? (3)

Nesse capitulo das bizarrices dos meus conterrâneos, que me parece algo muito peculiar de nossa boa gente mineira, outro hábito estranhíssimo é quando vc tem uma das portas do carro não completamente fechada, com o segundo estagio aberto. Eles endoidam pra te avisar.
Sabem que a porta não abre, não tem ninguém no banco de trás correndo risco de cair, mas eles não se conformam; buzinam, piscam farol, fazem sinais estranhos com as mãos, e se tudo falhar dão uma fechada te obrigam reduzir e parar até que vc sinalize de volta sua enorme gratidão pelo aviso salvador. Isso acontece a todo momento e vale tb para os casos em que vc deixa, propositalmente, os faróis acesos de dia – pq vc acha que faróis não são somente pra vc ver melhor no escuro, mas para que seu carro tb possa ser visto em certas situações. Eles ficam possuídos e te perseguem por quilômetros até que vc apague. Uma versão pedestre desse estranho fenômeno psicossocial é se vc ousar sair de casa com um cadarço do sapato desamarrado. Vc será mais perseguido que o pobre Frankenstein nos antigos filmes da Universal. Agora, se vc estiver com o zíper da braguilha um pouco aberto, não terá perdão dos inspetores de passarinho soltos. É...Eles são muito estranhos mesmo.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Por que ia querer isso???? (2)

Antes eu pensava que era alucinação..Que só eu via isso; mas depois outras pessoas, muito timidamente (pq tb pensavam que era alucinação) passaram a mencionar o mesmo fenômeno: aqui em BH os outros carros seguem seu carro; igual cachorros perdidos na rua, que te acompanham, quando vc está na caminhada, entende?
Naturalmente eles tb estão indo a algum lugar, mas só vão ao seu destino se achar um carro na frente que está indo na mesma direção, senão se desorientam. Quando estão atrás de vc e vc para ou muda de rumo eles parecem se enfurecer pq terão de buscar outro carro pra seguir e isso pode ser um pouco difícil. Alguém sabe me explicar pq isso acontece???

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

O mais baixo na escala do trabalho...

Um suposto Boris Casoy, suposto talking-head (cabeça falante) de uma suposta rede de televisão teria afirmado no ar, em seu suposto programa que "os garis são o mais baixo na escala do trabalho". Depois dizem que nao se aprende nada com a televisão: até então eu pensava que a mais baixa posição na escala de trabalho - e humana - era emulada acirradamente por...jornalistas e advogados. Imagina que tolo que eu era.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Por que eu ia querer isto? (1)

No geral sou completamente a favor do assim dito (pejorativamente, na mídia ultra reacionária que domina toda forma de comunicação social no país) “politicamente correto”: É claro que precisamos de uma lei contra o racismo, pq se os pais – com medo da policia – não se expressarem de modo discriminatório contra minorias raciais, os filhos não terão modelos imediatos tão nefastos para perpetuar esse horror irracional. Mas é obvio que isso leva também a outros tipos de absurdos, no exato sentido que menciono no post anterior. Exemplo? No ultimo governo da ditadura militar tinha um Ministério da Desburocratização – criar um ministério pra isso? Já estamos com problemas, não? – e então um dia vi uma entrevista do ministro titular dizendo, com desgosto, diga-se a seu favor, que tinham abolido o reconhecimento de firma de documentos a serem apresentados em repartições oficiais, mas que quando algum distraído chegava com um documento com a tal de “firma reconhecida” o documento era rejeitado com base na lei que abolia a exigência. Quer dizer... Não sei o que dizer... Mas me parece muito coerente com outro fenômeno comum nos assim chamados anos de chumbo: presos políticos torturados nas masmorras do regime militar denunciavam as torturas sofridas na imprensa estrangeira, e então eram torturados de novo por “denegrir a imagem do Brasil no exterior” ao fazerem as denuncias iniciais, entenderam??